Notícias da delegação do Jikiden Reiki no país mais ocidental da Europa - Portugal

Durante vinte anos fui professora universitária de Literatura e Comunicação, em Portugal e em França. Ao mesmo tempo, desenvolvi actividades de grande responsabilidade, a nível internacional, na área das políticas culturais e linguísticas. Repentinamente, em 1996, a minha vida desmoronou quando me diagnosticaram um tumor no fígado e uma doença grave da vesícula. Após a operação, continuei a sentir-me doente, física e emocionalmente. Comecei a minha busca por algo que na altura não conseguia identificar mas que a minha voz interior continuamente me dizia existir. Esta procura levou-me até ao Reiki dois anos depois. Comecei a tratar-me durante mais de 8 horas por dia e, 8 meses mais tarde, operara-se em mim uma mudança enorme - notada por todos - tanto a nível comportamental, como da minha aparência física, como sobretudo no campo da saúde. As análises sanguíneas e outros exames médicos comprovavam a normalização de mais de dez valores que anteriormente se encontravam muito acima dos limites de referência, em particular da GGT, uma enzima do fígado que desceu de 242 para 30 (actualmente já bati este recorde: cheguei aos 18 uma vez que me trato diariamente e recebo tratamentos dos meus alunos que se tornaram profissionais). Isto fez-me sentir que tinha de fortalecer a ligação que tinha com esta energia divina e, no final de 1998, recebi o meu primeiro grau de Mestre. Imediatamente me senti impelida a ensinar Reiki e, depois de um curto período em que iniciei familiares e amigos, comecei a ensinar formalmente em Janeiro de 1999. Desde o início senti necessidade de diferenciar a minha identidade no Reiki e, dado que estava a associar as técnicas mais eficazes de outras escolas de Reiki, incluindo técnicas de Reiki japonês originais, com técnicas que desenvolvia por mim própria, chamei-lhe Reikimix. Em 2001 conheci Frank Arjava Petter, o famoso Mestre de Reiki alemão investido da missão de acordar o Fogo Reiki (título de um dos seus livros) no Japão, onde viveu durante 11 anos, e de transportar para o Ocidente o legado perdido de Mikao Usui, o seu fundador, reunindo e publicando os fundamentos técnicos e históricos do Reiki. Reconhecendo a importância que teve em devolver a autenticidade do Reiki a milhões de praticantes de Reiki no Ocidente (um milhão nos E.U.A.) após 60 anos de histórias e práticas imprecisas, participei com gratidão no 1º Mestrado em Reiki que ele ministrou logo após o seu retorno à Alemanha, em 2003.

Em 2004 abria-se para mim uma nova etapa no Reiki, quando participei nos primeiros seminários Shoden e Okuden ministrados por Tadao Yamaguchi em Düsseldorf, a convite de Arjava, que assim fortalecia a ligação entre os praticantes ocidentais de Reiki e a mais pura fonte de Reiki a que se pode aceder e cujo coração bate em Kyoto, no Japão.

Detenhamo-nos agora sobre alguns dos factos históricos mais importantes do Reiki. O Jikiden Reiki é a única Escola de Reiki Japonês a transmitir, intactos, os ensinamentos de Chujiro Hayashi, isto é, quem o estuda na actualidade recebe o mesmo conhecimento que qualquer pessoa que tenha estudado directamente com Hayashi nos anos 30.

Hayahi sensei é o mais célebre aluno do fundador do Usui Reiki Ryoho, Mikao Usui. Graças a ele, e através da sua aluna Hawayo Takata, o Reiki é hoje a Arte de Cura com Mãos mais disseminada a nível mundial. Takata sensei, cujos ensinamentos constituem, na sua maioria, o que hoje é conhecido como Reiki Ocidental, começou a ensinar Reiki somente 30 anos depois de Hayashi lhe ter concedido o grau de Mestre. Consequentemente, devido a falhas de memória, perda do domínio do japonês e à sua própria contextualização enquanto americana de origem japonesa a viver no Hawai, Takata introduziu alterações e acrescentos no método de Hayashi que o distorceram quer na técnica quer nos princípios (surpreendentemente, uma vez que o Reiki é uma energia de vibração espiritual alta e, consequentemente, não tem limites - apenas os seus praticantes se podem impor os seus próprios limites ao usá-la -, o método funciona perfeitamente, isto é, induz a mais profunda cura do corpo e mente).

Assim, depois de ter recuperado totalmente a minha saúde com o Reiki Ocidental e de ter ajudado inúmeras pessoas a curar as suas vidas e o seu corpo por meio de seminários e tratamentos, porque é que eu me envolvi no Jikiden Reiki ao ponto de ter de ir ao Japão um ano após o meu primeiro encontro com Tadao Yamaguchi e receber o grau de Shian Kaku em Kyoto (2005)? E porque é que tive de o convidar a vir a Portugal e tornar-me, nessa altura, a terceira Shian de Jikiden Reiki no Ocidente?

Em primeiro lugar, porque me conecta mais directamente com os antepassados do Reiki. Enquanto terapeuta familiar que também sou, conheço a importância energética de nos ligarmos aos nossos antepassados familiares e a força que tal pode trazer às nossas vidas. Estar sintonizada a todos os níveis com o legado sagrado de Chiyoko Yamaguchi, através do seu filho, faz de mim um ramo florescente que recebe incessantemente leite novo e revigorante do tronco divinamente majestoso do Reiki original. Concretizando mais esta imagem literária: desde que me comprometi a ser um canal de Jikiden Reiki, instalou-se em mim, vindo da alma, um conhecimento mais profundo da natureza do Reiki. Trata-se de um fenómeno espiritual. Este entendimento mais forte não resultou de uma aprendizagem regular uma vez que não é ensinado por palavras quando dou seminários de Jikiden Reiki; no entanto, ele entra indubitavelmente na alma do aluno, suave mas poderosamente. Parece-me que no Reiki, como noutras práticas espirituais, pode ser-se um discípulo em diferentes níveis de consciência. Cada passagem para um patamar mais elevado de consciência constitui uma iniciação que transporta consigo um novo entendimento, uma mudança e um conhecimento que servem a nossa própria evolução e nos permitem servir melhor os outros seres. Nesta perspectiva, o Jikiden Reiki constitui uma iniciação avançada para um professor e curador de Reiki. Desde o primeiro dia em que o recebi, não consigo deixar de sentir que estou a ser recompensada pelo trabalho de cura que tenho vindo a fazer em mim própria e naqueles que vêm até mim para receber a bênção do Reiki.

Tendo deste modo amplificado a minha consciência sobre o Reiki com o Jikiden Reiki, senti que os meus alunos também estavam preparados para esta nova fase de iniciação e que eu tinha sido escolhida por esta manifestação primordial do Reiki para implementar um ramo seu em Portugal. Tadao sensei veio a pela primeira vez a Lisboa em Fevereiro do ano passado. Em Kyoto, havíamos estipulado que ele ministraria dois seminários. Quando comecei a organizar tudo in loco, apercebi-me de que o número dois me tinha sido da boca e que soara perfeito naquele momento. Durante alguns minutos, receei não conseguir encher os dois seminários, o que foi assustador dado que era a primeira vez que estava a organizar um seminário para outra pessoa... Deixei a energia guiar-me e, no espaço de duas semanas, inscreveram-se 28 alunos! Este ano, nas mesmas datas de Fevereiro, tivemos não só dois seminários de Shoden e Okuden, mas também dois seminários para Shian Kaku, nos quais receberam formação oito novos Shian Kaku.

Estou muito orgulhosa dos meus alunos maravilhosos mas não estou surpreendida: eles são tão maduros, sabem exactamente qual é a atitude certa a ter e estão tão cheios de amor e com um tal grau de compromisso com o Reiki que não podiam senão estar preparados para os ensinamentos preciosos de Tadao sensei. Como em mim, as suas vidas mudaram e as suas feridas foram curadas com Reiki. Juntos, deixemos que o Jikiden Reiki brilhe mais e mais naquele que é o país mais ocidental da Europa - Portugal.